PostHeaderIcon UTRE - Referência na região Norte e na preservação do meio ambiente

Um investimento de mais de R$ 11 milhões irá tornar a Unidade de Tratamento e Disposição Final de Resíduos Sólidos Urbanos (Utre) referência em reciclagem e tratamento do lixo na região Norte. A inauguração será no próximo dia 23.

Antes mesmo de abrir as portas para receber as quase 150 toneladas/dias de lixo da Capital, a Utre recebeu a visita do professor Montenegro, do Ministério do Meio Ambiente, qualificando-o como modelo, o primeiro desse porte da região Norte. “O mais perto que teremos é o de Goiânia, sendo que apenas 10% das cidades do país têm aterro sanitário”, Arthur Leite, secretário municipal de Meio Ambiente.

Caixa Econômica Federal, através do Ministério das Cidades, no valor de R$ 10 milhões. A Prefeitura entrou com uma contrapartida no valor aproximado de R$ 1 milhão. Dannya Goutinho, engenheira civil e gerente da gestão de resíduos sólidos, confirmou que a obra iniciou no dia 2 de junho de 2008, gerando em torno de 60 empregos diretos, além de mais de 150 indiretos, isso tudo já movimentando a economia local bem antes de sua inauguração.

Após a sua inauguração, a Utre, além de local seguro para o lixo da Capital, ainda será ponto de captação e geração de renda para 150 pessoas, entre contratados e associados da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis e Reutilizáveis de Rio Branco do Projeto Catar. “Começamos com 14 catadores, hoje estamos em 120 e a expectativa é que esse número aumente ainda mais, pois estaremos criando condições para que a Utre possa gerar mais renda ainda”, disse Arthur, referindo-se aos catadores.

O secretário lembra que na entrada da Utre foram instaladas três centrais de triagens para os materiais orgânicos e recicláveis, para a triagem dos resíduos provenientes da coleta seletiva que está sendo ampliada com dois caminhões. Também foi instalado um Britador de Resíduos da Construção Civil e uma unidade de Tratamento de Resíduos de Serviços de Saúde. “O de orgânicos – podas e galhadas, provenientes dos serviços de limpeza pública, e outros que deverão ser trazidos do Ceasa – serão transformados em adubos para áreas degradadas e para mecanização rural, o Britador receberá material da construção civil e vai dar condições deste mesmo material retornar para a cidade como agregado para a produção de meio fio, calçadas, manilhas e outras, enquanto o de Resíduos de Serviços de Saúde irá receber e tratar o material na sua maioria hospitalar, para não poluir o meio ambiente e atendendo a legislação, sendo que, após a esterilização através da autoclave, os resíduos serão triturados e daí seguem para a disposição final na célula de lixo do aterro sanitário”, explicou.

Meio ambiente preservado – Ao contrário do antigo aterro, onde o lixo recebia apenas uma camada de barro e ficava praticamente exposto, o novo contará com impermeabilização através de uma manta PEAD – Polietileno de Alta Densidade – que irá proteger o solo de infiltrações. Ao contrário do antigo, o novo Aterro possui unidades de tratamento de chorume, líquido escuro, de odor desagradável e altamente poluidor proveniente da decomposição do lixo, que consiste na drenagem desse chorume para as lagoas de tratamento, que no caso são 3. “A nova unidade pode ser encarada desta forma: saímos de uma bicicleta para um carro potente”, brincou Arthur sobre os avanços que o tratamento do lixo sofreu.

Porém a vida útil de cada célula, como é chamado o aterro sanitário, é de apenas oito anos. Por isso mesmo a importância do lixo passar pela seleção para a coleta seletiva e posterior reciclagem. Com as triagens, a trituração do material de construção, é que o volume de lixo que vá descarregar célula de disposição final do aterro seja inferior as 100 toneladas/dia, como é o levantamento da Secretaria de Meio Ambiente.

Comodata – Diferente das empresas locais, a Plasacre está se instalando no Acre de olho no mercado local e até mesmo – com a abertura da estrada do Pacífico – nos países vizinhos da Bolívia e Peru. A empresa do Sul do país, está firmando uma parceria com os catadores do Catar, para fornecer duas linhas de moagem de plástico no valor de R$ 400 cada uma. Em contrapartida os catadores estarão assinando contrato de exclusividade.

A Plasacre já está instalando sua fábrica no Distrito Industrial, enquanto as linhas de moa-gens ficarão dentro da Utre, adiantou Arthur Leite, logo após ter recebido telefonema do representante da empresa já em terras acreanas. “Infelizmente teve que vir uma empresa de fora para ver o potencial, enquanto as locais não quiseram arriscar”, lamenta.

A empresa irá receber o material já triturado e irá confeccionar principalmente grades de supermercados, capacetes, baldes e conduítes, inclusive fornecendo para o mercado local com preço em média de 30 a 40% do que normalmente é comercializado. O plástico enfardado – sem ser triturado – vale no mercado R$ 0,25 o quilo, enquanto o triturado custa R$ 0,80. A expectativa com a instalação da nova fábrica em Rio Branco é que gere 150 empregos diretos e outros 250 indiretos.

Lixo vale ouro – Pouco explorado, o lixo vem se tornando um meio de renda para 120 catadores do Catar, gerando um salário mensal que varia entre R$ 400 a R$ 600. “Isso sem contar com os shows e grandes eventos, onde os catadores conseguem quase a renda do mês em um só evento”, disse Arthur, explicando que o prefeito Raimundo Angelim, após reunião com a Semeia, assinou portaria que os catadores teriam exclusividade nos shows. “Para não haver injustiça existe um rodízio entre eles para ninguém ficar prejudicado e todos (os catadores) saírem ganhando”.

Se a Capital gera em torno de 150 toneladas/dia de lixo, o volume de material que sai é bem inferior. Apenas uma carga de 20 toneladas, sai de Rio Branco todos os meses. “Isso significa que temos lixo para todo mundo e quanto mais gente puder reciclar, melhor”, avalia Arthur.

Quando indagado sobre qual seria o lucro da prefeitura com a construção da Utre e seus investimentos na cadeia da reciclagem, Arthur foi categórico: “Nada. Vai ganhar a partir do momento que o lixo deixar de acumular dentro da célula ou pior ainda, ir parar dentro dos rios e igarapés, ganha na parte am-biental. Claro que ela ganha indiretamente, pois ela gera emprego, que gera renda, que gera circulação de impostos e isso retorna ao município”.

Percentual de lixo descartado

Tipo        Porcentagem
Matéria Orgânica 49,8%
Papel                  14,5%
Metal                  12,8%
Plástico               12,8%
Vidro                    8,7%

A prefeitura de Rio Branco é responsável pelo lixo domiciliar e comercial, também oferece serviço para a coleta de resíduo de saúde e entulho, porém pagos por quem gera o lixo. Por exemplo, os entulhos de residências, construção, são de responsabilidade de quem gerou.

Projeto para a valorização do lixo

A vereadora Ariane Cadaxo apresentou um antiprojeto na Câmara Municipal de Rio Branco para que o lixo reciclado e doado aos catadores do Catar seja utilizado para abater da conta de energia. Com isso a vereadora espera atingir principalmente as pessoas de baixa renda, além de fomentar a coleta seletiva do lixo na Capital.

Apesar de ainda estar em tramitação na Câmara, a prefeitura vem fazendo contato com a Eletroacre e tem recebido o apoio. “Isso já ocorre em algumas cidades do Nordeste e a direção da Eletroacre se mostrou favorável ao projeto, até porque ela tem uma cota para fins sociais, o que vem a ser este projeto”, ressaltou Arthur Leite, secretário de Meio Ambiente.

Como foi a escolha do local do aterro

Diferente de outras administrações, a prefeitura de Rio Branco escolheu os terrenos não pelos preços, mas sim pelo tipo de terra. O local do novo deposito tem a terra cheia de pizarra, o que propiciou as mantas, sendo escolhidos entre 16 áreas visitadas.

O valor de R$ 10 milhões adquiridas por empréstimo não foi financiada a fundo perdido, pois isso não ocorre mais. O empréstimo foi avalizado pela Câmara Municipal. A administração está a cargo de três secretarias: Agricultura, Meio Ambiente e Serviços Urbanos.

O que tem o novo Aterro

*Impermeabilização de solo com manta de PEAD;
*Unidade de Tratamento de Resíduos de Saúde;
*Usina de triagem de materiais recicláveis;
*Unidade de compostagem;
*Unidade de Tratamento dos Resíduos da Demolição e Construção Civil;
*Drenagem de Gases;
*Tratamento de Chorume;
*Eco-ponto para recebimento de pneus;
*Cortina verde ao redor de toda a área;
*Recuperação de áreas degradadas, dentre outros.

NÚMERO

500 gramas a 1kg de lixo é o que uma pessoa gasta em média por dia em Rio Branco.

Última atualização (Sáb, 13 de Março de 2010 21:28)